sexta-feira, 16 de julho de 2010

Curitiba - Auto da Pedra



Após uma volta noturna pela cidade de Curitiba, comprei uma pizza média gostosa demais, e pedalei até um posto de gasolina na saída da cidade onde a ficha para tomar banho custava 2,00 R$, mas acabaram me dando uma ficha de graça, aí foi colocar a ficha para a água cair por exatos 7 minutos.

Dormi tranqüilo e pela manhã, antes de partir, conversei com um carreteiro que me disse que a estrada que eu ia pegar era complicada, que eu só ia ver reta depois de Cascavel, no mapa Cascavel ficava próximo a Foz, ou seja, pegaria ladeiro praticamente o caminho todo.

De fato, cheguei em Alto da Pedra por uma estrada onde os quilômetros pareciam ser maiores do que o normal devido a grande quantidade de ladeiras e o vento forte. Almojantei um PF de 5,00 R$, muito bem servido, em quanto assistia o jornal local na tela de plasma da lanchonete, parecia que eu tava assistindo globo rural, as noticias eram na maior parte, referentes à paisagem agrícola pela qual eu tinha acabado de passar, na estrada pedalei pela pequena cidade de Palmeira, e passei por colônias alemãs, mas o que mais vi foram fazendas muito bonitas, por serem bem arborizadas, isto resume a paisagem do interior do Paraná.



terça-feira, 6 de julho de 2010

...? a Curitiba - 06/07/2010 - 20:35 h - Terça

Estou em Curitiba!
Após pedalar, subidas intermináveis e contra o vento chego a capital do Paraná, e de uma lan house aqui de Curitiba que escrevo agora.
Hoje foi bastante cansativo, e ainda contei com um pneu furado, pretendia chegar na hora do almoço e acabei chegando no fim da tarde.





Eu esperava encontrar uma cidade linda, com casas grandes, e jardins, mas Curitiba não é tão diferente da maioria das grandes cidades do país. Por aqui tem muitos ônibus tri articulados, e ciclovias, o transito não é horrível como no Rio ou em São Paulo, mas aparte isto nada de diferente.
Fui conhecer a tal da estufa, gostei bastante do jardim botânico, muito bonito!

Miracatu a... ? - 06/07/2010 - 8:49 AM - Terça

Foi o dia mais difícil até aqui, mas também foi o que proporcionou as mais belas imagens, pedalei o dia todo subindo morros, no espírito "devagar e sempre", para quem esperava chegar a Curitiba antes de anoitecer, o dia poderia ser considerado uma decepção, mas ao contrário disso, foi o melhor dia até agora, parei por diversas vezes para tirar fotos do horizonte, a estrada era muito linda, e só agora eu estava me sentindo longe de casa.







Novamente eu tive que fazer uma parada forçada pelo anoitecer, não faço idéia do nome do vilarejo onde estou, seria um lugar tranqüilo se não fosse pelos cachorros que não paravam de latir.

Miracatu a Cajati - 05/07/2010 - Segunda - 7:50 AM

Após tomar a café da manhã, trazido pelo Jefrey, segui meu rumo, pedalar de dia é muito melhor, fui vendo a paisagem que se modificava à medida que e avançava com minha bike e não era mais necessário desviar dos buracos, pois a qualidade do asfalto já era bem melhor, e eu segui por ele até chegar em Registro, onde dei um descanso e voltei a pedalar, parando para comprar bananas (00,50 a dúzia).



Decidi não almoçar, já que tinha comido bem de manhã, e fazer uma janta mais reforçada, só que eu não contava com o acostamento acabando quando anoiteceu, a estrada ficou perigosa e eu tive que parar numa vendinha de frutas, ou seja, esquece a janta reforçada, comi manga, mamão, aí perguntei para o seu Agenorrrrrr, o dono da venda de sotaque caipira, se tinha outra coisa pra comer que não fruta e ele acabou dividindo a janta dele comigo, segundo dele era uma comida de pobre, independente do nível social da comida, ela estava muito gostosa.

Armei minha barraca sob um ponto de ônibus seguindo as recomendações do Agenor, e tive uma noite tranqüila, acordando cedo para escrever sobre a viagem no caderno e tomar um café da manhã, esse sim uma refeição de pobre, pão puro com àgua, era o que tinha pra comprar.

São Paulo a Miracatu - 04/07/2010 - Domingo - 09:10 AM

Sai de casa por volta das 19:00 h, gostaria de ter saído mais cedo, para evitar pegar a estrada a noite, só que todos os preparativos me consumiram tempo, e quando se tem apenas 15 dias para viajar, 1 dia a menos acaba fazendo diferença.

Peguei a Francisco Morato até cair na BR116, onde havia um fluxo grande de carrros. Percorri o inicio da estrada sem acostamento, até encontrar um acostamento esburacado onde pude seguir com mais tranqüilidade, mais a frente a estrada ficou sem iluminação, fiquei cego, juntando o breu em que eu me encontrava, com a estrada esburacada, o resultado óbvio foi a 1º queda da viagem, após ter pedalado 60 km, mas tudo bem, esta queda não foi tão ruim quanto a que tive 15 km mais tarde. Ninguém manda ser teimoso e sair de noite.

Depois de bastante tempo pedalando no escuro total, seguindo apenas um resquício da faixa branca do acostamento que meus olhos identificavam com dificuldade, encontrei o caminhão salvador, tratava-se de um caminhão que tinha algum problema e por isso ia devagar, fui seguindo a caminhão por bastante tempo, ele ia iluminando o meu caminho pela noite com suas lanternas traseiras.



Chegou um momento em que eu não sabia mais onde estava, sabia apenas que estava na BR116 em algum ponto entre São Paulo e Curitiba, eu estava cansado mas não ia parar enquanto não me localizasse, o problema é que no escuro eu acabava passando sem tomar conhecimento das placas, foi quando encontrei esta me dizendo, sinta-se em casa a apenas 15 km




(pedalar 110 km para no fim se sentir em casa não era exatamente o objetivo). Parecia ser um bom lugar para passar o resto da noite, tentei pensar “ o que são 15 km para quem já pedalou 110”, putz era bastante, eu estava exausto, havia pedalado 5 horas sem parar e sem tomar água (o segundo vacilo além de ter saído de noite foi sair sem água), minha garganta tava seca, eu estava com sono, foi quando encontrei uma placa que dizia, saída para Peruíbe, e 500 metros a frente o tal do fazendeiro.

Não me senti muito em casa, me senti mais em uma dessas paradas de ônibus de viagem, onde te dão 15 minutos para ir no banheiro, esticar as pernas e olhar, apenas olhar os produtos a venda, porque só alguém muito desesperado para pagar 4,00 R$ numa garrafa de água, condição esta, cuja qual eu me enquadrava, por isso nem pensei duas vezes na hora de comprar.


Tomei banho, dormi e acordei as 8:00 da manhã com um funcionário trazendo pão com manteiga, fatias de bolo e café com leite, ele me disse que por trabalhar lá poderia pegar de graça, aí pensou “ se eu estou com fome imagina esse cara que veio pedalando de longe e passou a noite aqui”. Agradeci a Jefrey, fiquei realmente admirado com sua consideração por alguém que ele nem conhecia. Após o café da manhã, que estava uma delicia, arrumei minhas coisas para seguir viagem.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

São Paulo a Itariri

Arrumei tudo na quinta a noite. tava preparado para chegar do trabalho, na sexta, e descer pra praia.







Ao chegar do trabalho na sexta, fiz os últimos preparativos, e antes de ir embora definitivamente fui falar com o Tih e o Petty, que desceram pra me dar um abraço, conversamos por bastante tempo, fui embora lá pra uma da manhã. Pedalei até a paulista, onde esbarrei com uns ciclistas, na praça do ciclista, que desenhavam frases a favor das bikes no chão, eles me deram um papel, anotaram meu e-mail, depois de conversar um pouco com eles fui embora indo pela Paulista, caindo na Av. Jabaquara, chegando até a Imigrantes.



Passei pelas placas de divisa de municípios: São Paulo/Diadema, Diadema/São Bernardo. Passei pelo pedágio e fui descendo até encontrar com um guarda rodoviário que me disse que não poderia passar por ali...” tem uma câmera que filma tudo aqui, se filmarem vc passando como fica pra mim?!...vc tem que passar pelo outro lado da pista, por la eu não consigo te ver”. Atravessei pro outro lado seguindo as recomendações do guarda rodoviário, para pegar a estrada de manutenção.








Vi o dia amanhecer na imigrantes, antes de entrar na estrada de manutenção, uma ladeira sinuosa, estreita e linda. Desci por ela na maior felicidade, foi mais divertido que qualquer parque de diversões, a estrada corta a natureza e o tempo inteiro se tem a vista da imigrantes que acompanha a estradinha.





Passei por uma bica, onde tomei água, e uma cachoeira antes de me encontrar com a Nelma, uma corredora de aventura que apesar da idade pedalava muito, descemos juntos até a estrada que me levaria à praia grande, onde nos despedimos.
Atravessei a Praia Grande, passei lotado por Mongaguá, chagando em Itanhaem onde armei minha barraca, e conheci o Coqueirinho, um cara que fazia artesanato utilizando palha de coqueiro, conversamos bastante, ele foi embora e eu entrei no mar, já estava com vontade de fazer isso a bastante tempo. Dentro da barraca estava muito calor, por isso, coloquei o saco de dormir em frente a barraca, deitei e capotei, acordei no meio da noite com um cachorro dormindo do meu lado, achei um barato, tive que levantar pra pegar a câmera e tirar a foto do cão companheiro, ele acordou com o barulho que fiz, tirei a foto, dormi mais um pouco e arrumei minhas coisas pra seguir a diante.

Fui pedalando pela estrada até encontrar um posto onde parei pra tomar uma água e um banho. Continuei a pedalada até Itariri, logo mais eu estaria na BR116, mas antes de chegar lá encontrei com dois homens que me disseram que não haveria nada no meio do caminho, seriam mais de 150 quilômetros na escuridão total até Iguape, a minha bike não estava boa, só algumas marchas estavam funcionando e a corrente encrencava toda hora, pensei que se a bike quebrasse no meio do caminho eu estaria ferrado. Achei melhor não seguir a diante.

Um dos homens, o seu Pedro, ofereceu a casa dele pra eu passar a noite, aceitei. Fomos de volta pra Peruíbe, seu Pedro falava o caminho todo e eu não entendia metade do que ele dizia no sotaque nordestino dele. Sei que ele falou sobre o patrão, a ex-mulher, e outros assuntos, eu só respondia com: “ta certo”, “verdade”, “aham”, “sério?”, “hahaha”. Chegando na casa do seu Pedro, ele me deu uns bifes e uns tomates e falou pra eu preparar, disse que eu precisava comer porque tinha pedalado bastante. Preparei a comida, ele fez mais um negocio estranho, e comemos. O tempo inteiro ele falava “ vc pode dormir tranquilo, que aqui ninguém meche em nada, porque se mexer eu mato!” ele falou tantas vezes isso que fiquei até com medo que algo sumisse da casa dele e ele pensasse que tinha sido eu.

Dormi tranqüilo, acordei bem, me despedi do seu Pedro a quem agradeço imensamente, e segui meu rumo de volta.

Parei num mercadinho pra comprar uma água e troquei uma idéia com o dono do mercadinho que era muito gente fina, ele falou que realmente não era bom negocio eu pegar a BR116 mas que eu poderia ir por dentro do morro, passando por um monte de cachoeiras e praias desertas. A idéia me chamou muita atenção, mas eu teria que voltar logo, não sei se conseguiria, o caminho era de estrada de terra, e subindo o morro, havia o risco de eu não conseguir voltar a tempo pra estudar e trabalhar na quarta...prazo é uma merda!

Fui pra rodoviária pensando que não poderia deixar, de em outro momento, conhecer as cachoeiras e praias desertas de Peruíbe. Volto em breve.






Na rodoviária o ônibus atrasou bastante. fiz amizade com dois caras e uma mina de Itapecerica da Serra. Deu tempo pra bastante papo antes do ônibus chegar e durante a viagem de volta pra São Paulo, falamos sobre diversos assuntos, pegamos contato, e nos despedimos em São Paulo.






Já em São Paulo, tirei uma foto da cidade pensando, “ isso também impressiona”, e fui pra casa, finalizando minha aventura de fim de semana.


Vídeo resumo da viagem... vou deixar também o link do youtube caso prefiram assistir lá:

http://www.youtube.com/watch?v=y23oLfvBpes




terça-feira, 20 de outubro de 2009

São Paulo a Porto Seguro

Foi essa a nossa primeira grande viagem, que nos serviu como aprendizado para as próximas que virão.

A idéia surgiu três anos antes da realização dessa aventura, quando eu e o Kiko (Christopher Puig), voltávamos a pé do colégio para casa. Ficamos extremamente empolgados com a idéia, que a princípio era ir caminhando até a Bahia, depois achamos que seria melhor ir de bike, e informamos nossas famílias que dali a três anos, viajaríamos de bike para Porto Seguro, poucos nos levaram a sério, mas ficou combinado que no dia 28/12/2008 o Kiko me ligaria, e a gente partiria.

Faltando 6 meses para a saída começamos a nos preparar, quando nossas famílias perceberam que estávamos determinados em realizar nosso objetivo tentaram nos impedir, não foi fácil convencer a todos, e no fim das contas saímos deixando parentes contrariados.

Partimos, com duas bikes que não eram apropriadas para viagens longas, bagagens amarradas no improviso ao bagageiro, uma barraca enorme e bastante pesada, e muita disposição. Após muitos contratempos chegamos em Porto Seguro, não sem antes passar por belíssimas paisagens, e conhecer pessoas que nos ajudaram bastante, sem as quais provavelmente não teríamos conseguido concluir a viagem, contrariando a todos que duvidaram da gente em São Paulo. Deixo um agradecimento especial ao Fred Fernando e ao Philip Surniche.


Pedalamos muito, chegamos em Porto Seguro, onde pegamos um ônibus de volta para São Paulo. Descobrimos que pedalar vicia (mal posso esperar pelas próximas pedaladas, se tudo der certo final do ano estarei indo para Argentina). Voltamos com lembranças que guardaremos para o resto da vida e um aprendizado que não tem preço.